quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Momentos



Há momentos na vida em que sentimos tanto

a falta de alguém que o que mais queremos
é tirar esta pessoa de nossos sonhos
e abraçá-la.

Sonhe com aquilo que você quiser.
Seja o que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que se quer.

Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.

As pessoas mais felizes
não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor
das oportunidades que aparecem
em seus caminhos.

A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam.
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passam por suas vidas.

O futuro mais brilhante
é baseado num passado intensamente vivido.
Você só terá sucesso na vida
quando perdoar os erros
e as decepções do passado.

A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar
duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar
porque um belo dia se morre.

De, Clarice Lispector

domingo, 25 de setembro de 2016

Te amo tanto...



Já não entro no mesmo lugar
Está tão vazio e triste
A saudade é imensa os lugares
Já não tem a mesma alegria
Te amo tanto tanto que falta-me
a respiração, meu amor por ti
Jamais terá fim.


clotilde guimarães

Imagino você




Hoje estou só no meu quarto me deito e não consigo dormir.
Fecho os olhos e imagino você mas, sei que está longe e que
jamais voltarem a nos ver, quando ainda poderia nos ter esperança
de um  dia está com você de te conquistar, e ter seu coração.
Não tenho mais seu sorriso, não tenho mais seu olhar não tive 
coragem de lutar, de declarar a você o meu amor o quanto te amo.
Perdão por querer te tanto, estas tão distante, porem tão presente 
em minha memoria. As noites mais triste de minha vida, é não ter 
seus beijos seus abraços meu grande amor.




clotilde guimarães

domingo, 13 de dezembro de 2015

Encontro

Desde o tempo sem número em que as origens
                                                    se elaboram,
se estendem para mim os teus braços eternos,
que um estatuário de caminhos invisíveis
construiu com a cor e o frio e o som morto de 
                                                     mármores,
para que em teu abraço haja imóveis invernos.

Tu bem sabes que sou uma chama da terra,
que ardentes raízes nutrem meu crescer sem
                                                        termos;
adestrei-me com o vento, e a minha festa é a
                                                    tempestade,
e a minha imagem, como jogo e pensamento,
abre em flor o silêncio, para enfeitar alturas
                                                           e ermo.

Os teus braços que vêm com essa brancura
                                                  incalculável
que de tão ser sem cor nem se compreende
                                                 como existe,
- são os braços finais em que cedem os corpos,
e a alma cai sem mais nada, exausta de seu
                                              próprio nome,
com uma improvável forma, um vão destino 
                                             e um peso triste.

Pois eu, que sinto bem esses teus braços
                                                   paralelos,
na atitude sem dor que é o rumo e o ritmo
                                              dessa viagem,

                Cecília Meireles*
,
                                         

Canção*

No desequilíbrio dos mares,
as proas giraram sozinhas...
Numa das neves que afundaram
é que tu certamente vinhas.

Eu te esperei todos os séculos,
sem desespero e sem desgosto,
e morri de infinitas mortes
guardando sempre o mesmo rosto.

Quando as ondas te carregaram,
meus olhos, entre águas e areias,
cegaram como os das estátuas,
a tudo quanto existe alheias.

Minhas mãos pararam sobre o ar
e endureceram junto ao vento,
e perderam a cor que tinham
e a lembrança do movimento.

E o sorriso que eu te levava
desprendeu-se e caiu de mim:
e só talvez ele ainda viva
dentro dessas águas sem fim.

   Cecilia Meireles

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Discurso



E aqui estou,cantando.

Um poeta é sempre irmão do vento e da água;
deixa seu ritmo por onde passa.

Venho de longe e vou para longe;
mas procurei pelo chão os sinais do meu caminho
e não vi nada, porque as ervas cresceram e as
                                       [serpentes andaram.
Também procurei no céu a indicação de uma
                                       [trajetória,
mas houve sempre muitas nuvens.
E suicidaram-se os operários de Babel.

Pois aqui estou, cantando.

Se eu nem sei onde estou,
como posso esperar que algum ouvido me escute?

Ah! se eu nem sei quem sou,
como posso esperar que venha alguém gostar
                                       [de mim?

             'Cecília Meireles'

domingo, 25 de outubro de 2015

Passeio



Quem me leva adormecida
Por dentro do campo fresco,
quando as estrelas e os grilos
palpitam ao mesmo tempo?

O céu dorme na montanha,
o mar flutua em si mesmo,
o tempo que vai passado
filtra a sombra nas areias.

Quem me leva adormecida
sobre o perfume das plantas,
quando, no fundo dos rios
a água é nova a cada instante?


*Cecília Meirelles

sábado, 17 de outubro de 2015

A flor do sonho



A flor do sonho alvíssima, divina
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pende em meu seio a haste branda e fina.
E não posso entender como é que, enfim,
Estão rara flor abriu assim!...
Milagre... fantasia...ou talvez, sina...

Ó flor, que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam triste os meus olhos
Se eles são triste pelo amor de ti?!...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Voou longe a asa da minha alma
E nunca, nunca mais eu me entendi...

      'Florbela Espanca'



quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Amiga

Deixa-me ser a tua amiga, amor,
A tua amiga só, já que não queres
Que pelo teu amor seja a melhor,
A mais triste de todas as mulheres.

Que só, de ti, me venha mágoa e dor
O que me importa a mim?! O que quiseres
É sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por meus dizeres!

Beija-me as mãos, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascêssemos irmãos,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nesta mãos,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...

           'Florbela Espanca'

sábado, 3 de outubro de 2015

O nosso Livro


Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito...
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah! meu amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente
"Versos só nossos, só de nós os dois!...

        
Florbela Espanca' 

A esperança não é a última







Lindos cartões



Lindos cartões 'Serenata'


A Flor do Sonho


A flor do sonho alvíssima, divina
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma magnólia de cetim
Fosse florir num muro todo em ruína.

Pense em meu seio a haste branda e fina.
E não posso entender como é que, enfim,
Essa tão rara flor abriu assim!...
Milagre... fantasia...ou talvez, sina...

Ó flor, que em mim nasceste sem abrolhos,
Que tem que sejam tristes os meus olhos
Se eles são tristes pelo amor de ti?!...

Desde que em mim nasceste em noite calma,
Vou ao longe a asa da minh' alma,
E nunca, nunca mais eu me entendi...

     *Florbela Espanca*

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Te Amo Tanto

                               Los Inquietos Del Norte

Unque nuestro mundo pareska insierto
Quiero desirte que este amor es sierto
y que es de verdad.

Pues te amo tanto tanto
Por ti mi vida me atrevo dar
Pues pa querer como yo te quiero
Me hace falta um amor sincero, que
No has de comprar
Pues te prometo te prometo
Que jamas te de falta

Pues te amo tanto tanto tanto te de amar

Pues te amo tanto tanto tanto te de amar
Pues mi vida te amo te amo de verdad
y jamas te de faltar.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Tortura

Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
_E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração,
_E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O vento altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!

           *Florbela Espanca*

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Murmúrio

Traze-me um pouco dos sonhos serenas.
Que as nuvens transportam
Por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas.
-Vê que nem te peço alegrias.

Traze-me um poco da alvura
dos lugares que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas dos ares:
-Vê que nem te peço ilusão

Traze-me um pouco da tua lembrança
aroma perdido, saudade flor!
-Vê que nem te digo esperança
Vê que
nem seguer sonho,amor.

     * cecilia meirelle*

Soneto da Perdida Esperança

                                     
 carlos  drummuond de andrade

Perdi o bonde e a esperança.
volto pálido para casas 
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.

Vou subir a ladeira lenta
em que os caminho se fundem
Todos eles conduzem ao 
princípio do drama e da flora.

Não sei se estou sofrendo
ou se é alguém que se diverte
por que não na noite escassa

Com um insolúvel flautim.
Entre tanto há muito tempo.
  


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Triste destino!

Quando as vezes o mar soluça tristemente
A praia abre-lhe os braços e deixa-o a gemer;
Embala-o com amor, de leve, docemente,
E canta-lhe cantigas pra o adormecer!

Quando o outono leva a folha rendilhada,
O vestido real da branda primavera,
O rio abre-lhe os braços e leva amortalhada,
A pequenina folha, essa ideal quimera!

O sol, agonizante e quase moribundo,
Estende os braços nus, alegre, para o mundo
Que o faz amortalha em púrpura de lenda!

O sol, a folha, o mar tudo é feliz! Mas eu
Busco a mortalha minha até no alto céu!
E nem a cruz pra mim tem braços que m' estenda!

                  Florbela Espanca

Os dias que não queria acorda

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Folhas de rosa


Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr do sol,
Eu vou falar com elas em segredo...

E falo-lhes d' amores e de ilusões,
Choro e rio com elas, mansamente...
Pouco a pouco o perfume do outrora
Flutua em volta delas, docemente...

Pelo copinho de cristal e prata
Bebo uma saudade estranha e vaga,
Uma saudade imensa e infinita
Que, triste, me deslumbra e m' embriaga,

O espelho de prata cinzelada,
A doce oferta que eu amava tanto,
Que refletia outrora tantos risos,
E agora reflete apenas pranto,

E o colar de pedras preciosas,
De lágrimas e estrelas constelado,
Resumem em seus brilhos o que tenho
De vago e de feliz no meu passado...

Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala a fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia... 

       'Florbela Espanca'

sábado, 27 de junho de 2015

Primavera




É primavera agora, meu amor!
O campo despe a veste de estamenha;
Não há árvore nenhuma que não tenha
O coração aberto, todo em flor!

Ah! Deixa-te vogar, calmo, ao sabor
Da vida... não há bem que nos não venha
Dum mal que o nosso orgulho em vão desdenha!
Não há bem que não possa ser melhor!

Também despi meu triste burel pardo,
E agora cheiro a rosmaninho e a nardo
E ando agora tanta à tua espera...

Pus rosas cor-de-rosa em meus cabelos...
Parece um rosal! Vem desprendê-los!
Meu Amor, meu Amor, é Primavera!...

      *  Florbela Espanca *

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Outonal

Caem as folhas mortas sobre o lago!
Na penumbra outonal, não sei quem tece
As rendas do silêncio... Olha, anoitece,
_Brumas longínquas do País Vago...

Veludos a ondear... Mistério mago...
Encantamento... A hora que não esquece,
A luz que a pouco e pouco desfalece,
Que lança em mim a bênção dum afago...

Outono dos crepúsculos doirados,
De púrpuras, damascos e brocados!
_Vestes a terra inteira de espledor!

Outono das tardinhas silenciosas,
Das magníficas noites voluptuosas!
Em que soluço a delirar de amor...
                 
             Florbela Espanca <3




domingo, 31 de maio de 2015

Palavras soltas







Mas eu Denuncio
Denuncio nossa fraqueza;
Denuncio o horror de morrer;
Denuncio o preconceito, o orgulho
a falta de amor.
Clarice Lispectos

Adoro que você esta comigo.
Adoro a maneira como você diz eu te amo"
Adoro a forma como você olha para mim.
Adoro o jeito de me fazer feliz.


Clotilde

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Serenata

Permita que eu feche os meus olhos!
Pois é  muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora, e
cantando pus me a esperar-te.

Permita que agora emudeça: que
me conforme ser sozinha
Há uma doce luz no silêncio, e a
dor é de origem divina.

Permita que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo
eu apendi a ser dócil no sonho
Como as estrelas no seu rumo.

       * Cecilia Meirelle*
         

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Só o Infinito

Só o infinito é capaz de 
Esperar enxugar as lágrimas
Enquanto o sol me visita todas 
As manhãs...

Só a brisa murmura
Suavemente sobre mim
Trafegando em minha vida
Levando me para terras
Onde a solidão nunca chega

Só o entardecer da primavera
Faz florir as flores que
Sorrir para mim...

    'clotilde vicente'


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O amor

O Amor

O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar para ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Para saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Fernando Pessoa

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Rústica

Ser a moça mais linda do povoado,
Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,
Ver descer sobre o ninho aconchegado
A bênção do senhor em cada filho

Um vestido de chita bem lavado,
Cheirando a alfazema  e a tomilho...
Com o luar matar a sede ao gado,
Dar às pombas o sol num grão de milho...

Ser pura como a água da cisterna,
Ter confiança numa vida eterna
Quando descer à terra da verdade...

Meu Deus dai-me esta calma, esta, pobreza!                                                                                             
Dou por elas meu trono de princesa,
E todos os meus reinos de ansiedade.

    Florbela Espanca


                                                                                                                                                                       

Espera

Não me digas adeus, ó sombra amiga,
Abranda mais o ritmo dos teus passos:
Sente o perfume da paixão antiga,
Dos nossos bons e cândidos abraços!

Sou dona de místicos cansaços...
A fantástica e estranha rapariga
Que um dia ficou presa nos teus braços...
Não vás ainda embora, ó sombra amiga!

Teu amor fez de mim um lago triste:
Quantas ondas a rir que não lhe ouviste,
Quanta canção de ondinas lá no fundo!

Espera... espera... ó minha sombra ...
Vê que pra além de mim já não há nada,
E nunca mais me encontras neste mundo!

         Florbela Espanca

domingo, 20 de julho de 2014

Amor vivo

Amar! mas de 'um amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
De 'uma doida cabeça escandecida...

Amor que vive e brilhe! luz fundida
Que penetre o meu ser — e não só beijos
Dados no ar — delírios e desejos —
Mas amor... dos amores que têm vida...

Sim, vivo e quente! e já a luz do dia
Não virá dissipa-lo nos meus braços
Como névoa da vaga fantasia...

Nem murchará do sol á chama erguida...
Pois que podem os astros dos espaços
Contra débeis amores... se têm vida?

Antero de Quental