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quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Tortura

Tirar dentro do peito a emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
_E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento!...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração,
_E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O vento altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!

           *Florbela Espanca*

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